A cada dia os meios de comunicação se tornam mais
eficazes, no que diz respeito às relações humanas. Com isso, o nosso
relacionamento se encontra em crise, não sabendo mais qual é a distancia real
entre os amigos, nem que tipo de relação (amizade) está sendo cultivada. Quando
se fala de internet, percebemos que a pessoa do outro lado da tela que, na
maioria dos casos, está no outro hemisfério, às vezes está mais próximo do que
aquela que está conosco no nosso dia-dia. Será que isso oferece algum risco
para as relações humanas futuramente?
Num passado não muito regresso, a comunicação era feita
por cartas, bilhetes, recados orais e de muitas outras formas. Sabe-se que depois
de algumas décadas para cá, surgiu a internet e o telefone celular e, agora
recentemente, os celulares com Internet, os Tablets, o Ifhone, dentre outros.
Sem contar com as inúmeras redes sociais de relacionamentos, por exemplo, o
Orkut, o Twiter, o Facebook, os blogs e muitos outros sites. Todas essas formas
de comunicação passaram a implicar diretamente na vida das pessoas, sobre tudo
daquelas que vivem um relacionamento mais próximo, como numa família ou num
grupo de amigos, que antes éramos acostumados a ver pelos corredores do prédio
ou de uma universidade. Cadê aquela amizade real? Onde foi parar os bons diálogos
com os amigos do dia-dia? Onde está a verdadeira “solidariedade humana”?
“O princípio da solidariedade, enunciado
ainda sob o nome de “amizade” ou “caridade social”, é uma exigência direta da
fraternidade humana e cristã” (Sta Catarina de Sena, Diál., 7. – 177).
O ser humano precisa da presença real do outro e não virtual.
Essas máquinas da comunicação não sentem, não têm
paladar, nem olfato..., pode até ter olhos artificiais, mas não olham como o
olhar humano. O ser humano precisa do outro, precisa ouvir a voz do outro e de
um olhar que seja real. Os relacionamentos que dantes eram tão sólidos se
desmancharam. Veja como já diziam alguns filósofos: “Tudo o que é sólido desmancha no ar” (Marx e Engels n’O Manifesto Comunista 1848) Nunca uma
frase foi tão profeticamente precisa para ilustrar esse tempo da nossa história.
Ou ainda como já dizia Jonh Donne, “Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do
continente, uma parte da terra...” A “morte” da comunicação real entre o ser
humano diminui parte do gênero humano.
O que coloca em cheque a autenticidade da comunicação
virtual é que ela não nos devolve tais valores ou princípios perdidos. Tal
processo acontece de forma contrária, desconstruindo os valores que até então
haviam sido construídos a milhares de anos. O que chama atenção é que esses
valores estão se desmanchando no ar em pouco tempo.
Aquele que usa os meios de comunicação, ao mesmo tempo em
que ele está rodeado de amigos virtuais, também se encontra solitário dos
amigos reais. A tendência é o relacionamento entre os amigos legítimos se
tornar mais frio. Percebe-se que tal fenômeno acontece pelo imediatismo com que
as mensagens ou informações são transmitidas através da grande rede. Muitos já não dão importância ao
antigo modo de relacionamento que acontecia de forma pessoal, mais saudável e
em puro “estado de natureza”.
Sabemos que conviver com o ser humano não é uma tarefa
tão fácil. Pois conviver com os outros implica está junto, embora não
diretamente. Veja que quando se trata de relação virtual, a escolha é da pessoa,
ela pode optar ou não, se quer de fato aquele outro indivíduo fazendo parte da
sua relação. Se ela não quiser mais conversar com alguém, ela pode mudar de
site ou até mesmo excluir a pessoa do seu msn, do Orkut, do facebook e, das
diversas comunidades de relacionamentos. Os problemas são muitos que deverão
surgir, dentre eles, aquele no qual a pessoa corre o risco até de ter sua
própria validade, de se tornar descartável, tanto ela quanto os
relacionamentos. E ainda, a pessoa pode fazer as melhores amizades, mas não é
real, não se sabe de fato quem é que está por traz da sua tela. Isso nos faz
perder a verdadeira essência da relação humana.
Existe atualmente o mundo falso da
comunicação, propriamente imaginário e ilusório. “Não estamos experimentando
dolorosamente como uma modernidade que perdeu seus critérios de valores corre o
risco de afundar no vazio?” (Bento XVI, Papa, 1927. Luz do mundo: o
Papa, a Igreja e os sinais dos tempos: uma conversa com Peter seewald/Bento
XVI; apresentação à edição brasileira Odilo P. Scherer; [tradução Paulo F.
Valério]. São Paulo: Paulinas, 2011)
Há esses modos de comunicação pelos quais muitas pessoas
estão aderindo cada vez mais rápido. Pois o mundo em que estamos vivendo se
encontra em alta velocidade, sobretudo na comunicação, se observarmos com maior
atenção, surge um questionamento: como será que a geração futura resolverá tal
problema deixado por essa geração?
Mediante
tudo isso, será que esse modo de se comunicar é extremamente nocivo para as
relações humanas do presente e do futuro? O que nos resta é saber como nos
enquadrar nesta evolução da comunicação e dos relacionamentos. Temos que ser
equilibradamente sábios para tomar a dosagem certa dessa comunicação “embriagante”
que envolve gente de todas as idades. Não se podem condenar tais descobertas,
tais avanços da comunicação. Mas a partir do momento em que você passa a usar
de forma sábia, com certeza, não coloca em risco nosso relacionamento com o
próximo que faz parte do nosso dia-dia. Mas se você dá preferência ao mundo
virtual, correrá o risco de viver uma “solidão
conectada” (Ghyslaine Cunha. A solidão conectada).
Por Marcos do Nascimento Miranda
Bacharelado em Filosofia, pelo Instituto de Filosofia e Teologia Seminário São
Pio Décimo – Santarém, Pará, cursa atualmente o 1° ano de Teologia no Instituto
Regional de Formação Presbiteral, Belém, Pará.
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