quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Os efeitos da comunicação virtual


A cada dia os meios de comunicação se tornam mais eficazes, no que diz respeito às relações humanas. Com isso, o nosso relacionamento se encontra em crise, não sabendo mais qual é a distancia real entre os amigos, nem que tipo de relação (amizade) está sendo cultivada. Quando se fala de internet, percebemos que a pessoa do outro lado da tela que, na maioria dos casos, está no outro hemisfério, às vezes está mais próximo do que aquela que está conosco no nosso dia-dia. Será que isso oferece algum risco para as relações humanas futuramente?

Num passado não muito regresso, a comunicação era feita por cartas, bilhetes, recados orais e de muitas outras formas. Sabe-se que depois de algumas décadas para cá, surgiu a internet e o telefone celular e, agora recentemente, os celulares com Internet, os Tablets, o Ifhone, dentre outros. Sem contar com as inúmeras redes sociais de relacionamentos, por exemplo, o Orkut, o Twiter, o Facebook, os blogs e muitos outros sites. Todas essas formas de comunicação passaram a implicar diretamente na vida das pessoas, sobre tudo daquelas que vivem um relacionamento mais próximo, como numa família ou num grupo de amigos, que antes éramos acostumados a ver pelos corredores do prédio ou de uma universidade. Cadê aquela amizade real? Onde foi parar os bons diálogos com os amigos do dia-dia? Onde está a verdadeira “solidariedade humana”?

O princípio da solidariedade, enunciado ainda sob o nome de “amizade” ou “caridade social”, é uma exigência direta da fraternidade humana e cristã(Sta Catarina de Sena, Diál., 7. – 177). O ser humano precisa da presença real do outro e não virtual.

Essas máquinas da comunicação não sentem, não têm paladar, nem olfato..., pode até ter olhos artificiais, mas não olham como o olhar humano. O ser humano precisa do outro, precisa ouvir a voz do outro e de um olhar que seja real. Os relacionamentos que dantes eram tão sólidos se desmancharam. Veja como já diziam alguns filósofos: “Tudo o que é sólido desmancha no ar” (Marx e Engels n’O Manifesto Comunista 1848) Nunca uma frase foi tão profeticamente precisa para ilustrar esse tempo da nossa história. Ou ainda como já dizia Jonh Donne, Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra... A “morte” da comunicação real entre o ser humano diminui parte do gênero humano.

O que coloca em cheque a autenticidade da comunicação virtual é que ela não nos devolve tais valores ou princípios perdidos. Tal processo acontece de forma contrária, desconstruindo os valores que até então haviam sido construídos a milhares de anos. O que chama atenção é que esses valores estão se desmanchando no ar em pouco tempo.

Aquele que usa os meios de comunicação, ao mesmo tempo em que ele está rodeado de amigos virtuais, também se encontra solitário dos amigos reais. A tendência é o relacionamento entre os amigos legítimos se tornar mais frio. Percebe-se que tal fenômeno acontece pelo imediatismo com que as mensagens ou informações são transmitidas através da grande rede. Muitos já não dão importância ao antigo modo de relacionamento que acontecia de forma pessoal, mais saudável e em puro “estado de natureza”.

Sabemos que conviver com o ser humano não é uma tarefa tão fácil. Pois conviver com os outros implica está junto, embora não diretamente. Veja que quando se trata de relação virtual, a escolha é da pessoa, ela pode optar ou não, se quer de fato aquele outro indivíduo fazendo parte da sua relação. Se ela não quiser mais conversar com alguém, ela pode mudar de site ou até mesmo excluir a pessoa do seu msn, do Orkut, do facebook e, das diversas comunidades de relacionamentos. Os problemas são muitos que deverão surgir, dentre eles, aquele no qual a pessoa corre o risco até de ter sua própria validade, de se tornar descartável, tanto ela quanto os relacionamentos. E ainda, a pessoa pode fazer as melhores amizades, mas não é real, não se sabe de fato quem é que está por traz da sua tela. Isso nos faz perder a verdadeira essência da relação humana.

Existe atualmente o mundo falso da comunicação, propriamente imaginário e ilusório. “Não estamos experimentando dolorosamente como uma modernidade que perdeu seus critérios de valores corre o risco de afundar no vazio?” (Bento XVI, Papa, 1927. Luz do mundo: o Papa, a Igreja e os sinais dos tempos: uma conversa com Peter seewald/Bento XVI; apresentação à edição brasileira Odilo P. Scherer; [tradução Paulo F. Valério]. São Paulo: Paulinas, 2011)

Há esses modos de comunicação pelos quais muitas pessoas estão aderindo cada vez mais rápido. Pois o mundo em que estamos vivendo se encontra em alta velocidade, sobretudo na comunicação, se observarmos com maior atenção, surge um questionamento: como será que a geração futura resolverá tal problema deixado por essa geração?

Mediante tudo isso, será que esse modo de se comunicar é extremamente nocivo para as relações humanas do presente e do futuro? O que nos resta é saber como nos enquadrar nesta evolução da comunicação e dos relacionamentos. Temos que ser equilibradamente sábios para tomar a dosagem certa dessa comunicação “embriagante” que envolve gente de todas as idades. Não se podem condenar tais descobertas, tais avanços da comunicação. Mas a partir do momento em que você passa a usar de forma sábia, com certeza, não coloca em risco nosso relacionamento com o próximo que faz parte do nosso dia-dia. Mas se você dá preferência ao mundo virtual, correrá o risco de viver uma “solidão conectada” (Ghyslaine Cunha. A solidão conectada).

Por Marcos do Nascimento Miranda
Bacharelado em Filosofia, pelo Instituto de Filosofia e Teologia Seminário São Pio Décimo – Santarém, Pará, cursa atualmente o 1° ano de Teologia no Instituto Regional de Formação Presbiteral, Belém, Pará.

terça-feira, 21 de junho de 2011

ONDE ENCONTRAR DEUS?

Muitas pessoas já tentaram encontrar Deus e dar sentido à sua vida. Grandes estudiosos como filósofos, psicólogos, antropólogos e teólogos, tem incansavelmente buscado uma resposta para a gênese da vida. Santo Anselmo suplicava:

“[...] ensina meu coração onde e de que maneira deve te procurar, onde e de que maneira pode te encontrar. Se não estás aqui, senhor como eu poderei encontrar-te longe daqui? Mas se estás em toda parte, por que não te vejo presente agora? [...].

Na Bíblia consta: “de fato, desde a criação do mundo as suas perfeições invisíveis podem ser contempladas com o intelecto nas obras por Ele realizadas.” (Rm 1, 20)

Muitos pensam que Deus está no dinheiro, na orgia ou no álcool, etc.

Para poder encontrar Deus devo, antes de tudo, estar consciente de mim e, ao mesmo tempo, estar consciente de que Deus nunca se distanciou de nós; pelo contrário, somos nós que nos afastamos d’Ele. Por mais que o ser humano pense que é possível viver sem a presença de Deus, querendo ou não, Ele sempre vai operar em nossas vidas, por mais que não reconheçamos a sua presença em nosso meio.

Quase não temos a sensibilidade para perceber a presença do Criador. Algumas atitudes fundamentais para irmos ao encontro de Deus seriam, fazer silêncio, estar atentos às manifestações da natureza e, finalmente, ir ao encontro das pessoas que precisam ser ouvidas com redobrada atenção.

No silêncio podemos perceber, ouvir e experimentar o som da natureza. Este é o momento de estarmos na “nossa casa”, para antes de tudo, encontrar-nos a nós mesmos. Apresento aqui um exemplo: duas pessoas estão dialogando, compartilhando entre si, a fim de alcançarem uma intimidade sempre maior. Porém, chega o momento no qual uma palavra a mais destruiria o diálogo, por isso, ambos silenciam entre si. Não por não terem mais o que conversar, mas porque querem chegar à união de uma maneira mais profunda. De fato, algumas palavras a menos encerram sempre o perigo da incompreensão. O silêncio possibilita tornar-se um (você e Deus) sem os limites dos ruídos ou das palavras, caso contrário, como queremos encontrar Deus se nós não estamos em estado de silêncio e comunhão com Ele? Se não estamos na “nossa casa” que é o templo do Espírito Santo?

Entrar em sintonia com as manifestações da natureza é estar observando os meios pelos quais Deus se direciona ao nosso encontro. A partir de tudo isso, é preciso estar sensíveis aos sinais, como a brisa suave, a manhã ensolarada, o belo por do sol, etc. Tudo isso nos é proporcionado pelo nosso criador. Temos que olhar com carinho, benevolência e gratidão para cada maravilha de Deus, pois isso nos dá em troca a paz interior.

Por fim, é preciso ir ao encontro das pessoas que necessitam ser ouvidas com atenção, com carinho e amor. Só assim seremos capazes de encontrar o verdadeiro Deus no irmão que, muitas vezes, se encontra de coração abatido e espírito dilacerado; este ser que sofre e implora por paz, por amor ou algo mais. Este é o mesmo Deus que implora de nós a partilha da vida e o que nela existe.

Portanto, Deus sendo um Ser transcendente se manifesta de várias maneiras em nossa vida e, na maioria das vezes, somos insensíveis por não pararmos para observar a beleza de Deus e a bondade que Ele nos doa com gratuidade, tornando possível a relação entre Criador e criatura.

Enfim, uma coisa é certa! Só encontramos Deus verdadeiramente se estivermos atentos a tudo isso que já mencionamos anteriormente. E, principalmente, ficando em “nossa casa” com a consciência de nós mesmos para que Ele, ao bater a nossa porta, possa entrar. E ao apresentarmos nossas dificuldades, tristezas e alegrias, podemos sentir-nos felizes com esta relação.

domingo, 19 de junho de 2011

O MISSIONÁRIO DIANTE DAS TENTAÇÕES



Por Marcos Nascimento Miranda
O evangelho precisa ser entendido pelo missionário, como luz para os dias atuais. O trecho das tentações de Jesus no deserto é o principal ponto de partida da missão d’Ele, o grande missionário. Com esta missão, Jesus tinha que libertar o povo da opressão, das perseguições, da escravidão, dos impostos e do regime político da época. Sem saber qual seria’ realmente o caminho para a libertação do povo, Ele retira-se para o deserto e lá passa quarenta dias em oração e jejum a fim de descobrir qual o caminho a ser tomado.
Uma grande questão surge: onde realmente estava o demônio que tentou desviar o pensamento de Jesus? O trecho do evangelho a ser refletido, afirma que Jesus foi tentado três vezes: “se tu és filho de Deus transforma essas pedras em pães”. (Mt 4,3) Jesus diz: “Não só de pão o homem viverás, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Em seguida o diabo o leva para o pináculo do templo e diz: “se és filho de Deus, atira-te para baixo, porque está escrito, “Ele dará ordens a seus anjos a teu respeito, e eles te tomarão pela mão, para que não tropeces em nenhuma pedra” (Mt 4,6). E na terceira tentação, o diabo leva Jesus a um monte muito alto e diz: “tudo isso te darei se me adorares”. Em contra-resposta, diz Jesus: “Não tentarás o Senhor teu Deus e somente a ele adorarás” (Mt 4,7).
Como Jesus foi humano e divino ao mesmo tempo, exceto no pecado, na primeira tentação Ele mostrou uma característica humana. Todo ser humano deseja algo mágico e esplendoroso. Jesus foi tentado a transformar as pedras em pães, pois assim, num passe magnífico poderia resolver o problema da fome que assolava aquela região. Ao mesmo tempo, Ele cheio do espírito, revida a tentação que estava dentro de si, dizendo: “Nem só de pão o homem viverás, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).
Na segunda tentação, Ele foi tentado a pular de cima do pináculo do templo, isso seria um espetáculo fantástico. Com isso Jesus não precisava sair mundo a fora pregando e ensinando, porque todas as pessoas, com certeza, viriam de todos os lugares ver este grande espetáculo, sabemos que as pessoas gostam de ver coisas grandiosas, algo novo que chame atenção... Novamente Ele revidou essa tentação dizendo: “Não tentarás o senhor teu Deus” (Mt 4,7).
Na terceira e ultima tentação, a mais difícil de todas, Jesus se encontra num monte muito alto, onde pode ver todos os reinos da terra. Diante desse episódio, Ele é convidado pelo demônio a ser adorador do diabo. Caso Ele o adorasse, estariam todos os problemas resolvidos, pois tinha tudo em suas mãos. Eis aí, mais uma vez a presença da fraqueza humana, em querer as coisas de uma maneira mais fácil, sem esforço e sem interesse com o bem de todos.
Mas Jesus tinha plena consciência de que seria o principal líder da missão, por isso repreendeu mais uma vez o demônio dizendo: “Ao Senhor teu Deus adorarás e somente a Ele prestarás culto” (Mt 4,10).
Portanto, essas são as fraquezas humanas que Jesus sentiu, devido ser verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Contudo, superou as tentações em consequência do retiro que ele estava realizando no deserto. Veja que na maioria das vezes somos tentados a resolver os problemas do mundo num passe de mágica. Também, muitas vezes, não sabemos de onde vêm essas tentações e a presença do demônio. Em muitos casos, essas tentações e perturbações se encontram dentro do próprio homem, por ele não ter a prática do retiro e da oração. É no retiro que ficamos em sintonia com Deus e encontramos o melhor caminho para a realização da sua missão e, descobrimos a verdadeira solução para as tentações que se apresentam ao longo das nossas vidas.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

BEATA ALBERTINA BERKENBROCK

(Imaruí, 11 de abril de 191915 de junho de 1931) foi uma menina brasileira a quem são atribuídos milagres que, em 2007, foi declarada oficialmente beata pela Igreja Católica Apostólica Romana.
Conhecida pelo povo da Diocese de Tubarão como “a nossa Albertina”, também conhecida como a Maria Goretti brasileira. Nasceu na comunidade de São Luís, município de Imaruí, estado de Santa Catarina. Era filha do casal de agricultores, Henrique e Josefina Berkenbrock, e teve mais oito irmãos e irmãs. Foi batizada no dia 25 de maio de 1919, crismou-se a 9 de março de 1925 e fez a primeira comunhão no dia 16 de agosto de 1928. Assassinada em 15 de junho de 1931, aos doze anos de idade. Teve vida simples e humilde no meio rural do seu município natal.
A ela foram atribuídos milagres após sua morte violenta, depois de tentativa de estupro. Os milagres seriam obtidos por invocação junto a seu túmulo, o que motiva peregrinações.
A 44º Assembléia da CNBB, realizada em maio de 2006 formulou os seguintes pedidos de beatificações:
"A Assembléia, em reunião reservada, acolheu favoravelmente a proposta de D. Jacinto Bergmann, Bispo de Tubarão, para que fosse apresentado ao Papa o pedido de beatificação de vários Servos de Deus do Brasil, cujo processo já está em fase adiantada na Congregação das Causas dos Santos. São eles: Lindalva Justo de Oliveira, Albertina Berkenbrok, Manuel Gómez González e Adílio Da Ronch (mártires), Francisca de Paula de Jesus (Nhá Chica) e Dulce Lopes Pontes. Os bispos assinaram o pedido a ser encaminhado ao papa Bento XVI (2ª sessão reservada)".
A serva de Deus, Albertina Berkenbrock, com o decreto de beatificação, assinado pelo Papa Bento XVI, no dia 16 de dezembro de 2006, foi beatificada em 20 de outubro de 2007.
Marcos do Nascimento Miranda
Seminarista da diocese de Santarém
Ano Missionário